A RaiseHands estava buscando uma metodologia de trabalhar a relevância dos brands próprios e dos clientes atualizada com as demandas de gerar audiência e envolvimento com o público neste ano.

Acabamos decidindo adotar uma metodologia muito próxima a apregoada pelo Gary Vee nesta apresentação de manter as mídias sociais constantemente envolvidas com conteúdos interessantes, curtos e multimídia.

O desafio foi descobrir como fazer isso de forma rápida e barata, que permitisse o envolvimento de nossos clientes e que rapidamente gerasse os conteúdos.

O uso de serviço terceirizado é simplesmente impossível... O processo de negociação de escopo, prazo e de ajustes constantes impedem a execução de forma eficiente. A única solução viável é colocar um profissional dedicado na cobertura da produção e da pós-produção. E foi o que fizemos.

A primeira dor foi arranjar um computador de alta performance para a edição dos vídeos. Chegamos a tentar trabalhar com um computador com SD e bastante memória, mas sem uma placa de vídeo NVidia decente não tem como o computador dar conta em tempo hábil.

Terminamos comprando um notebook de gamer, o que acabou se mostrando um dos melhores investimentos que fizemos até agora.

O ponto seguinte é arranjar um equipamento para fazer gravação de vídeo, e os celulares de hoje em dia são mais que suficientes para isso. Claro que uma câmera digital DSLR ou Mirrorless garante uma qualidade ainda melhor, mas um celular apoiado num tripé barato já garante uma ótima gravação.

A primeira lição do processo de gravação é que enquadramento, composição de cena e iluminação são muito mais relevantes que uma câmera profissional, e os segredos são até bastante simples de aprender, é questão de acostumar o olho e fazer muita tentativa e erro.

Iluminação então é fatal. Dois softboxes de lâmpadas ou de painel de leds são determinantes para que você consiga gerar uma iluminação do rosto das pessoas que gerem os contornos e sobras leves no rosto das pessoas que encantarão quem depois ver as filmagens.

Por último o som é o ponto final. Aprendemos a usar microfones de lapela ligados diretamente em celulares para depois serem mixados digitalmente no processo de pós-produção, e a dor aqui é descobrir um microfone de lapela de boa qualidade e localizar um ambiente aonde a reverberação não torne o áudio desconfortável para quem escuta.

Cuidar da saturação do áudio também é muito importante. Ruídos nos áudios e até reverberação incomodam mas a distorção provocada pela saturação simplesmente destrói o áudio de uma forma que não tem muito o que fazer se não descartar.

Resolvido estes problemas técnicos, o segredo passa a definir a sua estratégia de conteúdos de formato longo (long form).

Estes conteúdos precisam ser interessantes para o público e também precisam ser roteirizados para durar pelo menos meia hora. Menos do que isso acaba gerando poucas oportunidades de produção de micro-conteúdos (nuggets) e o investimento de tempo acaba sendo mal aproveitado.

Um conteúdo de formato longo uns 40 minutos pode gerar de 4 a 15 micro-conteúdos de ótima qualidade, o importante aqui é escutar com atenção as gravações e achar uma maneira de fazer os cortes, legendar e encurtar o máximo com o objetivo de deixar o micro-conteúdo extremamente consumível para o público.

Outro ponto que não para deixar de observar é que conteúdos de vídeo ocupam muito espaço de disco. Esteja preparado para usar Dropbox, Google Drive ou o Mega para guardar estes ativos digitais para então serem acessados depois para quem organizar as postagens nas redes sociais, sem falar de muito disco interno no computador e discos externos USB para guardar os conteúdos originais.

Otimizando este processo e organizando o tempo do time dá para ocupar as redes sociais diariamente por duas semanas com conteúdos interessantes em questão de 2 dias, só depende da equipe estar azeitada em entender o processo como um todo e aprender por tentativa e erro como deixar o processo suave.

No final todos estes problemas técnicos e de know-how são tranquilos para quem aceita errar um pouco no processo, basta entender que não tem como acertar de primeira e usar cada experiência como uma lição para melhorar na próxima.

No final o problema que sobra é o mais sério e mais determinante para o sucesso do trabalho: descobrir como achar a narrativa autêntica do brand que você está construindo e enfrentar o desafio de abrir a "cozinha" das empresas e mostrar com sinceridade como cada empresa está enfrentando o desafio de mudar o mundo.