Veículos de comunicação

Se qualquer um pode construir seu próprio veículo de comunicação, isso quer dizer que ter veículos de comunicação não é mais um grande diferencial.

Ser ou ter veículo de comunicação passa a ser importante mas não mais um grande valor.

Da mesma forma que o Uber comoditizou o custo de uma licença de táxi, a Internet comoditizou a capacidade de comunicação com os públicos.

E o que era o ativo principal dos veículos de comunicação?

A audiência construída. A capacidade de impactar de forma contínua e repetitiva um público construído ao longo de anos.

Jornais, revistas e canais de rádio e televisão estão perdendo a significância neste processo exatamente por causa da destruição de sua base de audiência. A Internet comoditizou o custo de construção dos veículos e abriu toda uma cauda longa de interesses de audiência.

Rede social entrou no meio

Agora todo mundo é um micro-brand com audiência própria. Você hoje fica tão animado por ter novos amigos no Facebook, Linkedin e Instagram por causa exatamente disso: você está construindo sua base de audiência e, portanto, sua capacidade de impactar pessoas em volta de você.

E você aí pensando que as redes sociais são para manter contato com os amigos? Como é que estas empresas conseguiram fabricar uma plataforma de veículo de comunicação e até hoje as pessoas não percebem que o negócio não é social?

Na verdade os negócios de rede sociais nada mais são do que um veículo de comunicação de controle compartilhado com o seu público.

Funciona basicamente assim: os conteúdos são fabricados pelo próprio público num processo de crowdsourcing, e a audiência é construída de forma compartilhada entre o público e a própria empresa.

As audiências são construídas de forma independente para cada pessoa (micro-brand), mas as redes controlam como atrair pessoas de um micro-brand para outro e se aproveitam da audiência construída em cada pessoa para vender anúncios direcionados em cima do público que teoricamente seria propriedade só da pessoa.

É uma troca bastante injusta porque entrega uma quantidade enorme de valor e controle para estas empresas de rede sociais, por outro lado permite a inclusão de qualquer pessoa independente de renda sem precisar pagar nada.

Se imaginávamos o poder de grandes redes de televisão gerenciar audiências como algo ruim para as pessoas, imagina agora o poder que estas empresas multinacionais estão angariando.

Como usar as redes sociais

Independentemente disso, estes novos veículos de comunicação como Facebook, Youtube, TikTok, etc. estão todos se posicionando desta maneira, competindo para ver se tornam a próxima onda de interesse das pessoas para a construção de audiências.

Nosso papel agora é descobrir como utilizar este conhecimento da melhor maneira possível. Não dá para ser o taxista que fica reclamando da competição "injusta" do Uber.

Ou seja, não dá para ficar reclamando e brigando com o poder das redes sociais, o importante é entender como elas funcionam e como podemos utilizar do poder destas redes da melhor maneira nos nossos objetivos pessoais.

O primeiro ponto é reconhecer que elas também estão no mata-mata competitivo. Eles também estão brigando para defender a própria audiência para poderem se sustentar, mas também temos que entender que eles nada mais são do que veículos de comunicação cada vez mais indiferenciados.

Numa estratégia de alcançar o maior público possível, qualquer empresa precisa agora entender que marketing digital agora é ser o seu próprio braço de mídia, e que os conteúdos precisam ser distribuídos para todos os veículos viáveis economicamente que atingem o público esperado.

A audiência agora não é mais puramente do veículo de comunicação. O conceito de redes sociais abriu o poder de você gerenciar as suas próprias audiências através do mecanismo de "seguir".

Só que este mecanismo de "seguir" é uma terminologia falsa, o controle da exposição para os seguidores é totalmente do controle das empresas de rede social, e o negócio deles é descobrir uma maneira de ganha-ganha aonde o "ganha" deles é um pouco maior.

Então é importante não se "casar" com estas plataformas. Todo "influenciador digital" precisa estar posicionado com pelo menos 20% do seu público em redes diferentes da sua rede principal para não ficar totalmente sujeito aos caprichos e manipulações destas redes.

Os veículos de comunicação não conseguem mais produzir de forma lucrativa conteúdos de qualidade no começo da cauda longa. Somente mercados de conteúdos de nicho estão conseguindo sobreviver neste modelo.

Nos mercados aonde a audiência é o público em geral, nosso papel então passa a ser a construção de mídia e de micromídia para ser espalhado nos veículos aonde vamos construir as audiências.

Mais do que marketing de conteúdo

E isso não é simplesmente "marketing de conteúdo" ou "copywriting"... Produzir mídia agora é sinônimo de "brand", e o negócio de qualquer empresa vira uma empresa de mídia antes mesmo de ser a empresa do produto sendo vendido.

Mídia passa a ser tudo aquilo que você entrega de valor para o seu público sem custos antes mesmo de obter valor através de uma relação comercial.

E é exatamente isso que estou fazendo aqui neste artigo... Estou passando insights de alto valor para você com a expectativa de ter a sua atenção e convidá-lo a participar de minha audiência em uma de minhas redes. Mais tarde, quem sabe, alguma relação comercial possa surgir desta confiança que estou construindo?